sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ensaio sobre a comunicação na democracia

Longe de mim ser Saramago ou McCarthy mas é de ambos que vem a inspiração. Dois, dos melhores ensaístas que já tive a oportunidade de conhecer.

Alexander Graham Bell, jamais imaginou do que o "seu"  telefone seria pai. De uma tal Internet, aquela que pode ser considera a maior de todas as invenções desde o avião - que igualmente revolucionou o mundo dos transportes encolhendo o globo em proporções até então inimagináveis. Bem, até a internet chegar em nossas vidas.
Com ela, vieram as notícias praticamente em tempo real e em diversos formatos: fotos, áudio, vídeo e texto. Com ela, vieram as redes sociais que fizeram as pessoas descobrirem que o mundo é na verdade uma rede, mas uma rede de pessoas, que se ligam ou conectam através da internet.

Graham Bell provavelmente não imaginou isso - nem Julio Verne o fez. Que dirá imaginar a internet como um caminho para expandir, usar e posteriormente usufruir da democracia. Pois é para exato fim que ela tem sido aplicada nesse início de século. Barack Obama, usou e abusou da rede para fins de campanha e vale ressaltar que além de um caminho inovador, a internet mostrou-se eficiente haja vista que Obama foi eleito e sim, a internet angariou votos para o senador de Illinois.
Agora o mundo descobre um outro lado da rede mundial, o lado da unidade. Da unidade de cidadãos prontos para querer se expressar contra regimes totalitários, os quais definitivamente não cabem mais no mapa mundial - no mesmo tom que não cabe mais usar aquele telefone preto da vovó.

O mundo árabe está passando por um processo migratório que vai dos regimes ditatoriais para a boa e velha democracia. Lembram-se do filme "1492 A conquista do Paraíso"? Se alocasse-mos um nome para o nosso ano bem que poderia ser "2011 A conquista da Democracia".
O efeito dominó iniciado na Tunísia, já envolveu outros países da África e não deve parar por aí. Dois ditadores já cairam, o ex da Tunísia e o ex do Egito. Agora, quem está na marca do pênalti são os que se acham donos da Argélia, Marrocos, Bahrein e Líbia. 
Em todos esses países, a internet tem sido uma ferramenta indispensável para unir a população, para a criação dos protestos e principalmente para divulgar ao mundo o que tem ocorrido nestes Estados que usam de cortina de ferro para esconderem a verdade.


Em um mundo globalizado, a comunicação vale tanto quanto oxigênio e é desse cilindro que os povos oprimidos da arábia e áfrica tem usado para manifestar seu descontentamento com os regimes que os controlam, lembrando que até hoje nunca se viu um ditador do bem ou um autocrata com idéias altruístas. A democracia não é usada pela maioria por ser uma moda - ela é o melhor regime que existe, pois todo poder emana do povo que elege seus representantes para que estes governem para o povo - simples como pão na chapa.
Na esfera da democracia ideal ou correta os três poderes trabalham de forma independente um do outro, pois dentre as funções de cada um está a de fiscalizar o que o outro faz - novamente o pãozinho quente.
O que foge a esse regime, não pode de maneira nenhuma conceder liberdade a seus cidadãos, tão quanto conferir transparência nos atos dos poderes. E dentro destes regimes a internet tem tido um peso fundamental para ajudar a alavancar uma revolução real no mundo árabe oprimido desde sempre. Há regimes que caíram nessa onda e que estão prestes a ruim que estavam no mínimo a vinte anos no poder. Kadafi da Líbia está no poder a quarenta anos.


O que ocorre é que há quarenta anos, não havia nem globalização muito menos comunicação veloz feita via internet. Pode parecer utópico, mas as chances hoje de um Estado ser invadido por um ditador, em qualquer continente, é um pouco mais remoto do que era no passado, justamente porque hoje o mundo dispõem de recursos democráticos que antes não existiam.
E falar de comunicação no mérito de revoluções populares implica em falar de jornalismo sério e muito competente que pode-se dizer é o quarto poder em uma esfera democrática, pois se os três poderes fiscalizam-se uns aos outros, a imprensa tem um ponto de destaque por fiscalizar todos.
Os jornais do mundo todo estão acompanhando de perto - o mais perto possível na verdade, o que tem ocorrido no norte da áfrica e já que muitas fronteiras foram fechadas, inclusive em países onde é proibido o exercício da função de jornalista como na Líbia, a população tem enviado via rede mundial, muitas das (desencontradas) informações do grau em que estão as empreitadas.


Nada disso estaria acontecendo se não existisse a internet. Pelo menos não nessa escala tipo Schumacher, muito menos o conhecimento das informações a respeito do que se passa no mundo.
Como dito no título, esse texto busca uma visão ensaísta sobre como a internet simplesmente mudou a vida de todos e consequentemente a forma como organizamos nossa políticas, que em um mundo conectado por cabos e satélites pede um mundo mais democrático e transparente.


Santa Internet .

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O despertar do dragão

Habitualmente, os cem primeiros dias de governo, são primeiramente uma lua-de-mel estentedida e também é uma forma de mostrar qual será o tom do governo nos próximos anos. É praticamente um trailer do longa que se desdobra no horizonte.

Dilma, diferentemente de Luiz Inácio, pouco tem aparecido nas telas. Era realmente de se esperar uma conduta menos espalhafatosa, afinal não é o estilo Rousseff sair dando pitaco sobre tudo para qualquer gravador ou microfone que apareça. Nesse começo de caminhada, Dilma foi testada nas casas legislativas quanto ao valor do salário mínimo - micro, para dizer a verdade, distribuiu ao estilo PT os ministérios, os cargos de comando nas estatais e também abençoou a turma do fundão - o segundo e terceiro escalão do governo federal. Também já encarou a sua primeira tragédia de comoção nacional, com as tempestades, enchentes e desmoronamentos que dessa vez ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro.
Até o presente momento nada demais. Com um detalhe que têm fugido dos olhares mais atentos - um probleminha chamado Inflação. A Organização das Nações Unidas já avisou. Os alimentos no mundo todo tiveram um aumento médio de 15%. Aqui em terras tropicais não foi diferente, pois os alimentos foram os grandes vilões juntamente com os materiais de construção e os aluguéis, sendo este último item, um acelerador da (possível) bolha inflacionária.


Guido Mantega - que se considera um grande economista e diga-se apenas ele para achar isso dele mesmo, não tem conseguido dar conta do recado desde a extinta era "nunca antes nesse país". Brincar com a taxa de juros e queimar as reservas cambiais não resolvem o problema de inflação - da mesma forma que ninguém resolve um problema de matemática usando gramática.
E está ai o dragão, ainda sonolento, abrindo os olhos, bocejando e se espreguiçando. Ele já acordou, para dar início ao voo e começar a cuspir fogo é apenas uma questão de tempo e se Dona Dilma e companhia não tomarem os caminhos corretos, vão botar a perder todos os alicerces construídos na era FHC e que tiveram um início de solapamento na gestão do quatro dedos, que gastou, gastou e gastou - Ninguém anuncia um corte de 50 bilhões assim, por motivo sem gravidade aparente.


Dilma, economista de formação viu que o espetáculo do crescimento - que aconteceu apenas no imaginário petista, corroeu nossa guarda anti-inflação. Sair dando crédito para tudo e para todos a torto e a direita ou melhor esquerda, teve reflexo agora. E para que o reflexo não seja algo no estilo "retrato de Dorian Gray", a senhora "presidenta" (que palavrinha como diria Mario Prata) vai ter que rebolar e muito, afinal é de conhecimento de todos que um dos fatores que mais segura presidente no cargo são os bons ventos da economia - Lula com seus (mentirosos) recordes de popularidade sabe muito bem disso.


Aguardemos pois para ver os desdobramentos disto. Ou o dragão será congelado novamente ou sairá em voo rasante destruindo primeiramente nossa economia e segundamente os devaneios e projetos petistas de se manter no poder para todo o sempre. (nesse caso o dragão pode acordar e bater asas e cuspir labaredas e mais labaredas, mas só nesse caso).

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Norte da África 800 graus


A democracia é a melhor forma de experiência que nós já experimentamos. As palavras de Churchill mostram a complexidade da nossa história política. Alguns poderiam dizer que a melhor na verdade é o sexo e isso talvez fosse um pensamento de Freud, mas não é. Mas é verdade que o bom sexo é excepcionalmente democrático. Talvez o ex-primeiro e um dos mais importantes Ministros que o Reino Unido teve, tenha dito isso após uma boa noite a dois ou se fosse o atual premier Italiano, a três, quatro e lá vai orgia noite adentro.

Noite que não tem mais fim, descanso e muito menos sexo, nas ruas das principais cidades do Egito, Tunísia e agora a Argélia. Para completar o mapa, só falta o Marrocos e a Libia se rebelarem. O motivo ? Falta de sexo ? Não necessariamente, mas falta de democracia.
A África sempre foi um barril de pólvora, um canto esquecido do mundo, onde os olhos dos democratas nunca tiveram tempo para piscar o que deixou espaço suficiente para que ditadores seculares dos mais cruéis e desumanos fizessem sexo na posição que bem lhes desse na telha e com quem achassem melhor. Esse continente tão dúbio, lindo e rico em sua natureza, mas miserável em matéria de raça humana e vida pode ser dividido em três partes: A áfrica inglesa, no sul do continente, que abriga o mais rico e importante pais, a África do Sul, Botsuana, Namíbia (a única ex-colonia Alemã), Moçambique e a maça podre, o Zimbábue, do dinossauro Robert Mugabe e da maior inflação do mundo.

Mapa acima, temos a pior parte do continente, a chamada África negra. Um dos locais mais pobres, violentos e não democráticos do mundo. Nigéria (do petróleo cor de sangue), Etiópia (dos piratas modernos), Zaire, Congo (do todo poderoso Mazembe Futebol Clube), Ruanda (do maior genocídio pós segunda guerra), todos países esquecidos pelo mundo.
Deserto do Saara acima, temos a terceira parte, a chamada África árabe, um pedaço que as vezes é mais oriente médio, as vezes é África mesmo. E é nessa parte do mundo em que a temperatura chegou na casa dos oitocentos graus, nesse janeiro mais do que histórico para a história africana. (perdoem a redundância)

Berço de um dos principais impérios do passado, e de boa parte da história registrada pelo homem, inclusive com ricos relatos na bíblia, o Egito hoje vive um  momento único. As mesmas areias que viram Cleópatra, Júlio Cesar, Marco Antonio e a própria família de Jesus se refugiar das garras do Rei Herodes, vêem hoje sua população lutar contra as garras de outro ditador. Nem mesmo os hebreus fizeram tanto barulho por lá durante a escravidão.

Mubarak, autocrata há apenas três décadas, conseguiu convencer o povo com sua política bismarquiana do bem- estar social. Dê ao povo o que ele quer e ele não incomodará. Mas o remédio anti-democracia não surtiu mais efeito nesta atual geração que vive sem bons empregos e bons estudos. A economia egípicia, hoje vive do petróleo e do turismo e isso pesou e muito na parca dieta desses jovens que diferentemente de seus pais, conhecem o poder da palavra, da união e principalmente da rede mundial de computadores.
O ditador tunisiano Ben Ali foi o primeiro a cair. E nem se deu ao trabalho de tentar se levantar. Fugido para a Arábia Saudita, deixou o povo falando sozinho e assim abriu as portas para um início do processo de transição entre ditadura e democracia. Menos mau.
Já no Egito, o processo é  bem mais penoso, pois o país é o mais importante da região. Tem o maior e mais preparado exército dos arredores, e como já dito anteriormente, tem ouro negro, o que vem bem a calhar para o grande irmão, os Estados Unidos, que como é sabido, fechou os olhos para a ditadura e sempre se fez presente em negociações bilaterais com o pessoal dos camelos e das pirâmides.
Se a esfinge teve o nariz arrebentado pelo exército de Napoleão, Mubarak teve seus planos destroçados primeiramente pela bagunça feita na vizinha Tunísia e segundamente pela própria população que assim como Barack Obama em campanha eleitoral disse “sim, nós podemos”, também perceberam que uma ditadura não cabe mais nos cartões postais do Cairo.

Mubarak renunciou, fugiu assim como seu vizinho e agora o poder está nas mãos do exército, que prometeu um regime de transição, assegurando que as eleições ocorrerão num prazo de seis meses e aqui cabe um ponto importante. Deve-se observar com muito cuidado esse regime transitório, pois, sabemos que muitos destes regimes, instalaram-se na África e nunca mais saíram do poder. Mubarak, havia tentado dar garantias de que nem ele nem seu filho concorreriam nas eleições que devem ocorrer em setembro. Acreditar nisso é tão utópico quanto os faraós acreditavam que teriam suas riquezas no pós vida se fossem enterrados juntos – estes se mostraram errados. Os protestos que já estavam em níveis violentos, não cessariam enquanto o ditador continuassem no poder. Destituir o gabinete e “contratar” de última hora um vice-presidente para chamar de seu, não chega nem de longe, muito menos de perto a ser um ato democrático – até porque o vice é um general, e nós aqui em terras tapuias sabemos muito bem qual é o resultado da mistura exército/política.

Dando razão para o efeito dominó que apareceu no norte do continente, agora quem está fazendo barulho pró-democracia são os argelinos, com exceção de Zinedine Zidane. A história da Argélia, não é muito diferente dos seus vizinhos. País pobre, meio áfrica meio árabe e com ditador a anos no poder, os argelinos estão aproveitando a tempestade de areia que está  varrendo o norte do deserto do Saara para se abrir para os caminhos democráticos, assim como fez Moisés ao abrir o mar vermelho.

Discutir se sexo é algo bom, é tão inútil quanto tentar enxugar gelo, é bom, quando é feito com amor, respeito e com direito a uma sacanhagenzinha, afinal a carne é fraca, mas somente se todos esses detalhes forem compartilhados por todos na relação, afinal quando um não quer dois não brigam, ou não transam. Sexo forçado nada mais é do que crime, autocracia também, pois não existe autocrata do bem. Ou vive-se em uma democracia ou em uma ditadura, não existe uma terceira via.

E esse pensamento político sexual, só pode acontecer em cabeças livres, livres para pensar e se expressar. Coisa que as ditaduras nunca permitiram. Nem pensar, nem se expressar e muito menos amar.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A falta do Estado da União

Inspirado pela análise feita pelo Ernesto Varela, digo por Marcelo Taz, em seu blog, sobre o grande passo democrático que é o discurso do "estado da união" nas terras do basquete e do queijo cheddar, que aconteceu essa semana - assim como acontece todo início de ano, desde que o povo americano sabe o que é um automóvel, este blog se põem a pensar sobre o estado da nossa união, aquela das terras do futebol e do queijo minas.
Querer comparar a solidez democrática que são os EUA com a gelatinosa ditadura branca do Brasil é piada de muito mau gosto a qual não devemos nos atrever. Nunca na história como dizia o fascista light Lula, o presidente do país fora convidado pelo congresso para expressar a atual situação das coisas. Se estamos, bem, mau, se tudo vai dar certo ou se não sairemos mais da UTI ou como disse o professor Tiburcio, digo, Marcelo Taz, de onde viemos, para onde vamos.

O ponto no caso, é a falta de transparência que existe entre as duas principais casas da nossa nação sem união. O Executivo anda de forma independente do Legislativo, que por sua vez, manobra de forma idêntica. Noves fora as exigências fiscais criadas pela lei de FH, os vizinhos mau se cumprimentam no portão. Daí uma das grandes diferenças para nossos amigos do norte. Lá, a ida do presidente até o congresso mostra que a principal função do Legislativo é muito bem cumprida - a de ficar de olho no que o todo poderoso presidente faz. Simples como pão na chapa.
Bem, aí podemos somar dois com dois para fazer quatro. Se, não temos nenhum Obama, nenhum Kennedy, nenhum Clinton nas nossas casas de poder tapúia, afinal temos a Dilma, o Sarney, o Collor, o Maluf, também não devemos querer ter nenhum Allan Greenspan, já que temos o Mantega. Eu disse Mantega e não manteiga, prestem atenção, mas até agora não conseguiu-se distinguir a lisura de ambos.
E cá entramos no olho do furacão da falta do estado da união. Lá, assim como não é c á, o presidente do FED (Federal Reserve, na sigla em inglês) o banco central americano, também vai até a casa do povo, para dar suas explicações sobre como anda o bolso dos bebedores de coca. Ok, o Mantega é o minstro da fazenda e não presidente do BC, mas guardadas as proporções, as distintas funções entre brasileiros e americanos, tem o mesmo peso.

Pelas bandas de cá, onde bebe-se guaraná, nenhum desse procedimentos explicitamente democráticos ocorre e o que temos é um país onde o obscuro faz presença em nosso cotidiano. O mais novo exemplo disso é o resultado dado pelo FMI sobre as contas públicas brasileiras, que crescem como nunca antes na história, graças é claro a toda essa falta de fiscalização por parte do congresso sobre o palácio do planalto. Para ajudar a enveredar a situação, o ministro Guido Mantega, que nunca foi o que pensa ser - um grande economista, explicou que os comentários feitos pelo Fundo Monetário, foram feitos por "um velho ortodoxo que se distraiu e escreveu isso". Em um país onde o estado da união é base para a democracia, o ministro teria sido expulso de campo sem choro nem vela.
As contas do governo, a famosa austeridade fiscal, está passando por um momento crítico, uma inflação particularmente desagradável que pode vir a refletir na vida do brasileiro comum e simplesmente o que o ministro da fazenda faz é dizer que o FMI, ultrapassado em seus métodos de análise está errado sobre nossa saúde fiscal.
A falta do estado da união, pesa e muito sobre o ritmo da regência que os maestros nos dão, afinal a economia é a batuta do maestro, é ela que dá o tom da música, é aos movimentos da batuta que todos os outros instrumentos se guiam afinal como disse um assessor de Bill Clinton na campanha presidencial de 92, "é a economia, estúpido". Se ela vai mau, baubau, tudo vai mau.

Logo, devemos prestar atenção nos próximos capítulos dessa história, pois os números, que são irrefutáveis, mostram que temos tudo para que 2011 seja um ano particularmente preocupante no âmbito econômico, principalmente por termos na regência o mastro/ministro estúpido Guido Mantega, aquele que junto com outros não permite nosso Estado ter uma União.

sábado, 15 de janeiro de 2011

O voto molhado

Edney Silvestre resumiu na matéria do JN o atual estado da tragégia no Rio, em São Paulo e Minas. Tudo isso que está acontecendo não é nenhuma novidade. Toda essa tragédia que ocorre com as águas do nosso verão tropical é sempre um mal muito bem anunciado e como já disse o maestro Tom Jobim, essas águas só acabam em março. 
Explicações ? Sim, muitas, mas vamos nos ater a que melhor define e direciona tudo isso: o voto.
Políticas públicas corretas de habitação são a única solução para estas tragédias. Mas todos os nossos políticos, de todos os partidos, não são muito adeptos dessas políticas. Por que ? Porque mexer na casa dos outros, tira voto, mesmo que essa casa fique no meio de um morro, em um país tropical - ou seja, que tem verões muito chuvosos.

Dizer que nessas ocasiões, a culpa é da mudança climática, é tratar com mais desrespeito um problema que assola todas as regiões metropolitanas do país. As cidades não foram preparadas para o crescimento que se viu no país desde os anos 60, quando iniciou-se um êxodo rural, mas isso hoje também não é desculpa nos dias chuvosos em que vivemos. O mundo mudou, nossas cidades também. Hoje temos engenheiros, arquitetos que são especializados em habitações. O mundo fala em sustentabilidade, vida verde, pedale não polua, consumismo sustentável. Al Gore ganhou um Nobel da Paz, brincado de Oliver Stone. 


Pensar verde, significa agir de forma verde e não de forma eleitoreira. Nessa semana, as tragédias que invadiram a vida de cidadãos pobres em São Paulo e principalmente no estado do Rio (mais de 500 mortos contabilizados até hoje) serviram para mostrar o total descaso daqueles que foram eleitos pelo povo para representar o povo. Em São Paulo o tucano Alckmin e o demo Kassab (governador de SP e prefeito da capital, respectivamente) deram um show de lambança e se esqueceram que em boca fechada não entra mosca. Kassab disse que a tragédia só não foi pior por causa das obras que já haviam sido realizadas contra as enchentes. Mentira. A tragédia só não foi pior porque estamos em mês de férias e a cidade de São Paulo está relativamente vazia.  E, se por acaso tivessem sido feitas obras, as enchentes simplesmente não aconteceriam. O governador Alckmin foi outro que não perdeu a chance de ficar quieto. Disse que obras contra enchentes não são feitas da noite para o dia. Ok, está certo, mas e em cinco mandatos consecutivos ? Pois é esse o tempo que o partido do picolé de chuchu está no poder e nesse tempo ele foi vice de Covas, governador eleito, tendo sido reeleito posteriormente.
No estado do RIo de Janeiro, que tem fresco em sua memória as tragédias de Angra dos Reis e Niterói do verão passado, acaba de colecionar mais dor e sofrimento. Dessa vez na região serrana, onde rascunhou-se um novo dilúvio, mas sem arca e sem animais e principalmente sem planejamento público que inviabilizaria toda essa tragédia.


Vejamos: Como se diz no popular, o buraco é mais em baixo, mas um dos grandes problemas das cidades hoje são justamente os buracos - mas no asfalto. As cidades estão todas impermeáveis. Outro grande problema são as ocupações irregulares, que tem esse aspecto apenas em anos normais, porque em anos eleitorais, esse problema passa desapercebido. Temos um elefante roxo na sala, mas ninguém comenta e também ninguém age para tirá-lo de lá. Afinal, elefantes roxos geram votos e enquanto vivermos em um país que o voto e não o povo é a prioridade dos governantes, muitas outras enchentes irão devastar nossas cidades, tanto quanto uma manada de elefantes roxos molhados.



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Do preço da palhaçada

"Raramente começa a corrupção pelo povo" disse Montesquieu, mas no nosso caso, bem como em países onde a Justiça não trabalha em prol da democracia, a corrupção nada mais é do que o reflexo da vontade do povo, dos resultados das urnas, que em uma democracia é preceito básico para que ela mesma exista.
Existe o juiz, a bola, o gramado, o estádio, a torcida, os jogadores e a imprensa - mas não existem as regras. Aliás, até existem, mas não colam para jogadores que ganham salários astronômicos. Mesmo que a torcida grite: é pênalti, o juiz não marca. Mas nesse caso, a torcida não grita nada. A imprensa finge que não é com ela, mas todos continuam indo e lotando os estádios.

Pão e circo para o povo. Bolsa Família e o futebol global de domingos e quartas. Do império Romano para cá, parece que não evoluímos muito em matéria de política a mais nobre das artes humanas. Com isso, tem se um povo que não gosta do assunto o que deixa as portas abertas para aqueles que não só não gostam como também sabem usar de má fé para orquestrar o samba enredo. Ah no caso dessas portas - são as do inferno que estão escancaradas.
O Brasil juntamente com a Alemanha, são os países que mais se paga impostos. E é sozinho no topo da lista o país que tem os congressistas mais perdulários. Nem a Suécia tem um montante desses.


Essa semana os congressistas aumentaram mais uma vez seus próprios salários e agora vão receber algo em torno de vinte e seis mil reais por mês, apenas de salário, sem levar em conta todas as mordomias que o intocáveis tem. Para o povo resta um salário mínimo de menos de seiscentos reais.
Para fechar as notícias com a mais podre das chaves, Paulo Maluf deputado federal eleito por São Paulo, teve a ficha suja jogada no lixo e assim pôde tranquilamente ser diplomado para mais quatro anos de total roubalheira. E quem pagará por todas essas contas ? O bom e velho povo como continua pagando ingresso para o jogo, entende-se gosta do espetáculo que vê, independente do resultado do placar.
Lula e seus comparsas de esquerda, adotaram uma retórica que pegou como a última moda do verão - que a elite dominante do país (a direita) nunca havia feito nada pelo povo. Mas com ele a coisa foi bem diferente. Mentira. Simples assim. Lula deixa o governo de forma oficial, mas também deixa rombos e rombos dos oito anos de banquetes dados para seus amigos. Dilma já deve ter visto o extrato da festa e deve estar amargamente arrependida de agora ter que tapar os buracos. Não que ela não faça parte dos festejos, mas agora a coroa está em sua cabeça.


Nesse reinado onde o papel de bobo é claramente dado ao povo, só nos resta esperar o fim dos tempos medievais para entrarmos quem sabe um dia na era das nações democráticas, onde uma tal de justiça não só não tarda com também não falha. Bem, pode até falhar e tardar, mas pelo menos existe.


Bom Natal a todos. 

sábado, 18 de dezembro de 2010

Horrorfobia

Por esses dias, tem se visto agressões e mais agressões a gays na Paulista. A Paulista, justo ela, que é um símbolo para os gays. Um símbolo da liberdade. Liberdade mentirosa, que liberta apenas por um dia.
Esses ataques a homossexuais (que palavrinha como diria Mario Prata), mostram apenas uma coisa: Não houve mudança. Os gays não conquistaram nada. Os direitos preteridos pelos gays são os direitos de serem iguais aos demais. Simplesmente por que o são. O que se faz na cama entre quatro paredes não pode ser motivo para levar uma "lampadada" no rosto, ou um murro provido por uma arma branca - o soco inglês. A liberdade da maioria não é atacada quando em apenas um dia do ano, os gays saem as ruas (no caso Paulista, na Paulista) para celebrar seu orgulho, ela é atacada quando uma minoria é veementemente aniquilada. Sempre foi assim, sempre será, basta olhar para trás para se entender o presente.


A democracia não foi feita para os santos, como bem disseram os autores de "O Federalista", grosso modo ela é a vontade da maioria do povo. Mas a democracia tem um ponto fundamental em sua ideologia. Embora seja a vontade da maioria, ela defende igualmente a minoria - caso contrário seria um regime totalitário. E nesse aspecto, exterminar pessoas, pelo simples fato de elas gostarem de alguém do mesmo sexo, não é nada democrático. Aliás, no Brasil isso não está implícito, mas sim explícito. Homofobia é crime, tanto quanto sequestrar, estuprar ou vender cocaína. 
Coloquemos a atual situação da seguinte maneira. Se ao invés de gays sendo atacados na Paulista, tivessem sido mulheres estupradas? Ou então se jovens ricos tivessem sido sequestrados? A de se explicar e principalmente entender que o blog e o texto não estão fazendo apologia a esse tipo de crime, mas dando uma visão diferente de liberdade e por consequência, do preconceito que existe em torno de diferentes situações. Para cada caso, uma sentença diferente.
O estardalhaço que a sociedade teria feito seria bem mais gritante. Coisa de Jornal Nacional dedicar uma noite inteira para argumentar que vivemos em uma sociedade, não de poetas mortos, mas sim de monstros.


Harvey Milk e Gui Tronolone, são bons exemplos de defensores do bom combate contra a homofobia. Milk foi o primeiro gay na história americana a conquistar um cargo eletivo. Tronolone, na opinão do blog e do texto um dia também será. O que eles tem em comum? O fato de serem gays? Pelo menos sob uma primeira ótica não. O que eles tem em comum é a vontade de construir uma sociedade que aceita os gays, assim como se aceita tudo o mais que é colocado na gaveta de "diferente".
Essa etiqueta não pode ser usada para que animais ataquem as pessoas. Ataque que é se não apoiado abertamente por certos setores da sociedade, é aceitável de forma não oficial. Ou vamos agora dizer que os pastores e padres ficaram tristes e horrorizados com a pancadaria? No mínimo acharam até bom, afinal os gays são para estes, a escória do mundo. Ser gay não significa em nenhum momento não ser uma pessoa de fé.


Mas, voltando ao cerne da questão: A liberdade colorida. A liberdade constitucional de ir e vir de todo e qualquer cidadão, nos dias atuais, apenas os gays não a tem. 
Os gays, em uma interessante parcela, ricos, também são em uma interessante parcela, discretos, logo não querem exposição. E quando as pessoas de bem se calam, as demais podem dizer e fazer o que bem lhe vier na telha.
Panos de prato (um termo tronolinista) são a minoria da população gay. Eles tem mais destaque pois estão na mídia, mas não representam nem de longe a massa gay muito menos seus anseios e vontades. Que dirá as suas aspirações por liberdade e igualdade.


A homofobia é o terror explícito de dias em que a comunidade gay, navegou, navegou, mas não viu um porto seguro para ancorar. Homofobia é o nojo aos gays, é um ódio irracional e uma mostra de intolerância, não contra gays, mas contra humanos.
A horrorfobia é o medo desse terror. Horrorfobia é o nojo da sociedade contra os homofóbicos.
Abaixo a homofobia e viva a horrorfobia.