segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ateísmo vazio, ateísmo nada

Inúmeras vezes ao longo da história, o homem questiona Deus e Sua existência. Isto grosso modo é salutar, pois nossa fé em Sua existência amadurece, deixa de ser criança, ao constatar o óbvio: Ele existe. 
Não devemos viver uma fé primária, pequena, rasa, superficial. Deste amadurecimento nos percebemos filhos de Deus. Na sua Graça somos chamados a ser exemplo, a ser continuidade do que Ele fez. A estes damos o nome de cristão, pois seguimos o Cristo. Seguimos e Nele cremos.

Deus, aquele que existe, nos dá o chamado livre arbítrio, ou seja, o poder da escolha. Felizes nós que cremos, que amamos a este Deus que na sua eternidade e misericórdia, nos faz percebe-lo em seu Filho, que escolha maravilhosa optamos. Santo Agostinho disse: "Tarde te amei oh beleza tão antiga e tão nova. Tocaste-me e ardi por tua paz."
Esta aí um ótimo exemplo do que quero falar. Poucos homens questionaram e ao mesmo tempo buscaram a Deus como ele. Está lá em "Confissões", basta ler a sua história. E poucos homens na mesma proporção o encontraram e tiveram intelecto para verbalizar o que é Deus e como a Sua existência é real.

Questionamos Deus? Sim, espero que sim. Destas questões, Ele próprio nos responde: "Sou Eu, não tenhais medo". Paulo de Tarso, o apóstolo, na sua carta mais importante - a dirigida aos Romanos, questiona-se sobre o amor de Deus (último post) e finaliza: estou persuadido de que nada nos separará do Seu amor.

Amor este que se faz presente na história humana, sendo o único caso de amor que se faz vivo na pessoa de um ressuscitado, que fora morto como bandido, marginal e que nos perdoou por isto, salvando assim toda a humanidade, isto inclui aqueles que não acreditam na existência de Deus, perceba-se.
Este amor e esta existência são tão sublimes que a celebramos na sagrada Eucaristia.  Como é lindo, santo e pacificador para nossa vida, podermos celebrar esta Paixão.

Mas, diante de tudo isto, existem aqueles que seguem cegos diante de tanta luz. Existem aqueles que, guiados por pensamentos e ideologias modernas se atêm ao relativismo e ao ateísmo, negando assim a Sua existência. Estes, usam de falácias das ciências para justificar e contrapor Deus. Karl Marx, Frederick Nietzsche, entre outros tentaram e humanamente fracassaram em suas "modernosas" teorias de matar Deus.


A respeito dos ateus e sua infeliz doutrina e visão, posso garantir-lhes: o ateísmo é uma das estradas do relativismo e do ocultismo, pensam estes senhores que estão certos, que a religião certa é não ter religião, ou então o certo é ter uma para critica-la.  Crianças chorosas e mimadas, nada além disto. O ateísmo é um grande vazio, um imenso nada.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Quem nos separará do amor de Cristo?

“35 Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? 36 Realmente, está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro (Sl 43,23). 37 Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou. 38 Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, 39 nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8, 35-39)

Pelo amor, temos a Verdade. Não a verdade no sentido de um ponto de vista, mas a Verdade maiúscula, sábia e sendo propositalmente redundante a verdade verdadeira.
Paulo o grande apóstolo, nos questiona. Quem poderá nos separar do amor de Cristo e após citar algumas possíveis alternativas (ou desculpas), o mesmo Paulo menciona: “estou persuadido” de que nada poderá afastar o amor de Deus, em Cristo logicamente, por nós. 
Seguidamente ao questionamento que dá transcorrer ao texto, Paulo nos cita sete formas de uma possível separação do amor de Jesus:

A tribulação: Tudo o que nos ocorre de mal no dia-a-dia, tudo o que nos perturba com base no pecado, nos afasta de Deus. A tribulação, nos dias de hoje, pode ser representada pela imensa falta de tempo que todos têm para com Deus, seja no sentido de participação e demonstração da fé em uma comunidade/igreja, seja nos meios sociais como a família, os amigos e no trabalho. A tribulação também pode ser vista como as nossas decepções na vida, algumas vezes ligadas à Igreja, por meio dos nossos pastores, por exemplo. As tribulações, grosso modo, são todas as nossas fraquezas na caminhada do encontro com o Senhor.

A angústia: Talvez nada mais humano dentro do sofrimento do que a angústia. Ela até tem um pai intelectual: Martin Heidegger, filósofo alemão é tido como o pai da angústia e por conseqüência, um dos pais do existencialismo, assim como Dostoievski, romancista russo, autor de Crime e Castigo, obra pela qual o castigo do crime é a consciência que pesa, é a angustia. Angustiados por nossos pecados, somos sufocados para a vida que Cristo nos proporciona, para a vida que nos é ofertada.

A perseguição: O apóstolo Paulo foi causador de perseguição aos cristãos, quando era Saulo, um influente rabi. Depois do encontro com Cristo, passou para o outro lado da espada, sendo ele o perseguido. A perseguição, nos remota hoje as nações não cristãs como Nigéria e China que perseguem com violência a manifestação da fé em Jesus, é um fator potencial de desapego e barreira do nosso amor para com Deus.

A fome: Aqui podemos nos concentrar em dois aspectos: a fome física e a fome no sentido espiritual. A fome em seu sentido natural ou físico nos faz pensar na grande diferença social que existe no mundo. Não falo em luta de classes, como defendia Karl Marx, mas a fome que assola o mundo deriva de grandes transtornos sociais e econômicos, criando assim uma frieza, uma dureza nos corações, que indignados com tal realidade culpam unicamente a Deus pelo cenário. Deus, por sua vez, nos dá o raciocínio na ciência da economia para justamente humanos que somos termos condições de diminuir esta desigualdade. Outra forma espantosamente sábia do Senhor demonstrar seu amor nesta situação é quando Ele age através da Providência.
Já a fome no sentido espiritual, nesta busca incessante e natural que temos do encontro com o Senhor, muitas e muitas vezes percorremos caminhos paralelos aos caminhos do Senhor. Outras vezes percorremos o caminho contrário a Ele. Novamente aqui podemos citar Paulo apóstolo, como alguém que percorreu esta via que findou juntamente no seu encontro com o Senhor Jesus, ao passo que Saulo morreu, tornando-se Paulo.

A nudez: Uma das grandes frentes de batalha de Paulo em suas cartas é justamente a postura casta que um cristão deve ter. Paulo menciona a luxúria como um dos mais graves pecados mortais e combate fortemente alegando que a carne e o espírito são obras de Deus e, portanto ambos devem ser colocados a seu serviço e de certa forma a uma vassalagem. O ser vassalo de Deus, não implica numa visão medieval, mas no sentido de sermos fiéis ao nosso Senhor ao passo que somos livres para esta escolha. Esta visão sobre a nudez traz á tona também o sentido da fidelidade no matrimônio, um sacramento que é inúmeras vezes tratado como não sendo algo santo, quando, por ser sacramento o é.

O perigo e a espada:  O perigo da distância. Da distância dos nossos corações junto ao Cristo. Este perigo nos mata, nos afasta e abre caminho para um perigo moderno: o relativismo, o nivelamento oculto do mau como se fosse algo bom, do pecado que se vende como Graça, mas que é podre. A espada é a justiça, não a de Deus, esta infalível, mas a justiça dos homens, ou melhor, a falta dela. Quando os homens criam uma sociedade injusta, seja do ponto jurídico ou social, esta mesma sociedade esqueceu-se e distânciou-se dos ensinamentos de Jesus.


São Paulo questiona o que nos separa de Deus, mas completa dizendo que nós, na graça de Deus, somos mais que vencedores. A caridade de Deus bem como os discursos dos que o seguem livre e santamente tem uma conotação moderna. Somos mais que vencedores é uma frase que caberia não apenas na sociedade cesariana de Paulo, com suas disputas e torneios, mas também nos dias de hoje, haja vista que modernamente falando, esta frase reflete muito o que nossa atual sociedade busca. Esta modernidade no sentido de atualidade da palavra de Paulo e do sentimento de vitória que Deus nos permite vivenciar é vital para combatermos as pseudo-modernidades que são na verdade correntes ideológicas que vão contra o que Deus nos ensina.


Quando alguém está persuadido, significa que está para lá de convencido de algo. Paulo teve uma experiência muito profunda no seu encontro com Jesus Cristo e esta persuasão lhe garante proclamar não apenas que Jesus é o verdadeiro Cristo, filho do Deus vivo, mas que assim o sendo, Deus vivo, Este é autor de todas as criaturas, visíveis e invisíveis e que ambas são inferiores à Graça de Deus, de tal modo que nem mesmo os homens ou os anjos podem nos afastar do Seu amor, que nos é dado através de Jesus Cristo, o cordeiro imaculado que se entregou por nós.


Somos levados a crer e nos é proposto por Deus que por mais dificuldades que possamos vir a ter na vida, independente do tempo em que vivemos, que o amor de Deus é justificado no seu Filho. Não um filho que morreu, mas um Jesus vivo na Eucaristia, o pão vivo que nos afasta de todos estes questionamentos, e nos aproxima intimamente da Santidade, pois diante de Deus, temos as respostas para nossos corações, principalmente quando a pergunta é: Quem poderá nos afastar do amor de Deus? E Ele mesmo em nossos corações responde: Nada.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

E Ele Chegou. É Natal de Jesus.

Contam os católicos que tudo começou com Gabriel fazendo uma visita à Maria para lhe anunciar a vinda do filho de Deus. Como amamos o Cristo e como amamos Maria por dizer sim.
Contam os protestantes que tudo começou com Gabriel fazendo uma visita à Maria para lhe anunciar a vinda do filho de Deus. Os protestantes amam o Cristo, mas não ligam para Maria.
Contam os judeus que tudo já tinha começado e que Gabriel fez uma visita à Maria para lhe anunciar a vinda de um profeta de nome Jesus, aquele que seria o Cristo. Os Judeus não ligam nem para o Cristo e nem para Maria.
Os ateus dizem que tudo isto não passa de mentira. Que nunca existiu Gabriel, nem Maria, nem Cristo muito meus Deus.

Na verdade as coisas não começaram com o arcanjo Gabriel visitando Maria, para lhe dar a mais bela das boas novas. Tudo começou muito antes, antes da física explicar a origem do universo. Antes dos contos judaicos do livro do gênesis e toda sua turma: Adão, Eva, Cain, Abel, Noé, etc. Tudo começou no sempre, pois Pai, Filho e Espírito Santo existem sempre, são três e um, juntos e ao mesmo tempo e assim sendo os três fizeram-se presentes no nosso mundo humano.

O Pai, criou o céu espiritual, a terra, as coisas visíveis e invisíveis e nos enviou o filho, lá com Gabriel, Maria, José, a cidade de Nazaré e tudo o mais.
O Filho, nos deu ensinamentos, fundou a Igreja, mostrou como se ama, morreu numa cruz assassinado como se fosse um bandido, ressuscitou, sim Ele ressuscitou e voltou para o Pai, depois sua mãe, Maria, também foi levada aos Céus. Os católicos entendem. Os protestantes e os judeus não muito.
O Espírito, aqui ficou, foi a bússola da igreja primitiva, dos primeiros santos, e nos guia até hoje neste mundão de Deus. O Espírito é um presentão do Pai e do Filho para todos nós, sejamos católicos, protestantes ou judeus.. O Espírito veio até para os ateus.

E Neste Natal, de Jesus de Nazaré, independente do seu ponto de vista sobre religião e sobre Deus, este blogueiro deseja a todos:

UM FELIZ NATAL !!!




domingo, 18 de dezembro de 2011

Vida e Luz

Ohh vida minha. Quantas vezes sou um peso pra ti. Oh vida minha quantas vezes és um bálsamo para esta pobre alma velha que insiste em percorrer os caminhos que tu me das neste mundão sem porteira de meu Deus.
O que podemos esperar da vida sempre é e será uma grande pergunta. Queremos tudo, pois achamos que devemos ter tudo. Muitas vezes achamos que devemos ser também.
Neste caminho encontramos pessoas, situações, fatos e atos, bons e ruins. 


A vida, nos proporciona muitas coisas, nos dá diversos caminhos e nos contratos sociais que assinamos ao viver, temos de escolher entre os quais percorrer. Ela, nos dá caminhos fáceis que inúmeras vezes possuem curvas esburacadas e sombrias. Igualmente temos estradas que nos conduzem a vales lindos de vida e verde.


Mas num repente, muitas vezes, mais pela dor do que pelo amor, descobrimos que no fim desta estrada existe uma luz. E apenas esta luz está conosco no sempre, nem no pretérito e nem no futuro, mas no sempre. Realmente, tudo passa: as pessoas, os lugares, os sentimentos, mas somente Tu Senhor permanece. Permanece nos lindos vales, mas também nas estradas sombrias..


E nestas estradas Senhor, onde nunca falamos de Ti, neste silêncio mortal, Tu gritas. No silêncio Deus grita.. Ruge como um leão sedento. Sedento não de fome ou sangue, mas ruge para nos acordar. Na dor, displicentes humanos que somos olhamos para esta Luz. E cegos que somos por natureza, enxergamos que apenas Tu permanece.


Antigo mas tão novo, antiquado mas tão moderno. Luz bela, luz que ascende nossas vidas, neste vale de morte e podridão que tantas vezes vivemos.
Beleza sem fim a tua, que nós não percebemos, justamente nós humanos que caçamos a beleza como a mais primordial das coisas. Seria engraçado se não fosse irônico. Tão tarde te amei ó beleza infinita, imutável.


A vida que segue, só é vida quando estamos perto do pastor. Ovelhas negras e tristes que pastam à toa, sem sentido, sem norte...
Nesta vida, a única vida que permanece é a tua. E como não vemos esta luz, o Senhor, paciente e bondoso, nos fez ver-se humano. Pobre, perseguido, humilde. Assim nasceu o Rei. Sem cetro, coroa ou trono. Sem ouro, pompa, circunstância ou corte. Rei de todos, rei nosso. Somos sim teus súditos, teu exército, teus operários nesta messe infinita, tuas ovelhas. 


Nos deu a sua vida, em Cruz, corpo, sangue alma e divindade. Luz infinita és tu verdadeiro Rei, certos de que tu é a luz eterna, a chama que jamais se apaga.


Porque somente Tu permanece sempre.



sábado, 22 de outubro de 2011

Crônicas Imperfeitas - Coisas Simples

As crônicas Imperfeitas agora são também o nome do blog, então vamos lá para mais groselhas:

O que é simples para você? Geralmente altos graduados em RH nos questionam isto naquelas débeis, inúteis e chatas dinâmicas de grupo. Usualmente não sei responder. Talvez porque a faculdade não tenha me ensinado isto. Vi economia, administração, marketing, etc, etc e tal, mas não me recordo das aulas de simplicidade. 
Agora, numa tentativa nada acadêmica, porque de academia eu fujo como o Romário fugia dos treinos de futebol, vou tentar simplificar tudo e falar da simplicidade que tanto tem feito falta nas prateleiras deste mercado chamado vida moderna, ou como diriam lá no interior - modernosa.

Simples é pão na chapa com pingado em copo americano. Simples é arroz, feijão, bife (mal passado) e batata frita - minha mãe ainda incluiria nesta simplicidade uma "saladinha". Mas estas eu não como. Não sou coelho. Simples é cheiro de chuva, essa é boa. Percebeu que nas coisas simples a chuva até tem cheiro? Mais simples que o cheirinho de terra molhada é tomar banho de chuva. Simples é fazer o que se gosta por mais brega ou cafona que isto pareça. Ou vai me dizer que você jogou fora a coleção de figurinhas só porque cresceu? Sério? Hummm.. Então você vai dizer também que nunca mais se pegou brincando de carrinho nem que fosse com o celular? 

Bom, criança simples vira adulto simples e viver a vida com uma visão simplificada é tão mais prático. Max Weber, George W. Bush e João Dória Jr. que me desculpem, mas o simples é mais feliz. Sabe aquele papo de estilista que diz que "o cinza é o novo bege"? Então, se eles entendessem de simplicidade diriam que o simples é o novo simples.

Mas como podemos cobrar destes senhores simplicidade? Hoje em dia o cidadão acorda, cedo pra burro diga-se, e já está atrasado. O rádio relógio já é peça de museu, ai você escuta "meu celular não despertou" - não sabia que ele também dormia, sempre respondo isto. Já acordado o cabra pega um trânsito dos diabos para chegar no trabalho. Se estiver chovendo então esquece, as básicas duas horas para ir para o escritório viram três e meia, com direito a um quase infarto. Mas para que se preocupar. Este mesmo sujeito tem dois celulares (um blackberry e um Iphone) e claro que não poderia faltar o rádio Nextel. Tem notebook e aquele pinguelinho de banda larga 3G para uso móvel. O escritório está no carro para que se preocupar né não? Ué, se estava no carro também estava na casa então para que sair dela para ir para o próprio escritório. Ahh sim claro, estes senhores não são simples...
O simples é prático, vê o mundo com olhos de criança que se lambuza comendo resto de massa de bolo que fica no pote e não como um adulto fissurado por emagrecer que vive devorando barras de cereal.


Conheço pessoas que vivem relacionamentos simples que duram uma vida inteira. Um dos problemas do "simples" é justamente isto. Ele existe para projetos de longo prazo, mas com tantas correrias nossas do dia-a-dia o prático substitui a simplicidade. E este prático tem um quê de globalização e agilidade muito fortes para serem simplificados por nós.
Dizem que Deus é simples. Tenho uma idéia muito peculiar sobre esta simplicidade. Deus às vezes me parece uma criança brincando com o baldinho de areia numa praia deserta num por-do-sol. O baldinho é o mundo,  a vida. A areia em seus infinitos grãos, somos nós. O fim do dia é o tempo simples e eterno do Divino, do celestial. Qualquer coisa além passa a ser complicado. Simples assim.















quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Crônicas Imperfeitas - Gênios nossos


A gente cresce ouvindo que temos que ser o melhor no que fazemos. Temos sempre que dar o melhor de nós em tudo o que nos acontece, no relacionamento, na família, com os amigos, na faculdade, no trabalho. Muitas e muitas vezes isso é trabalhoso, desgastante como atravessar um caminho feito com brasas. Outras vezes, ser o melhor no que fazemos é tão fácil quanto amarrar o cadarço do tênis. Para estes, nós damos o nome de gênios.

Antigamente a inteligência das pessoas era medida pelo famoso Q.I. mas o tempo passa, o mundo gira. Hoje QI tá mais pra “quem indica” do que para uma forma de medir nossa capacidade intelectual. Diz, a psicologia moderna, que existem vários tipos de inteligência: a musical, a emocional e por aí vai. Gosto da inteligência gastronômica. Saber cozinhar é um dom. E de dom todos os gênios tem bastante. E de gênios, não vou me atrever a definir quem são, pois os temos aos poucos. E estes poucos estão nos deixando.
Gênio que é gênio foge aquela regra básica de que “ninguém é insubstituível”. Não é uma ova. Onde está o novo Mozart? Onde está o novo Dostoievski? Onde está a nova Tarsila? Onde está o novo Senna? Onde senhoras e senhores, meninas e meninos, está o novo Steve Jobs?

Os gênios estão se indo..

Mas, os gênios não necessariamente precisam ser famosos, pessoas históricas. Os gênios nossos de todo dia, são em sua maioria anônimos neste mundão grande de meu Deus sem porteira e sem fronteiras.
Fala pra mim se pegar aquele atalho sem trânsito não é algo genial – dica do colega de trabalho com quem você mal conversava. Ou então, devorar aquele cachorro quente daquela barraca que tem aquele “tio” que faz aquele lanche com aquele purê? depois de um dia de cão?  Pode ser a mãe, um tio, um amigo do peito. Gênio que é gênio faz coisas simples, ou melhor, faz do caos e das dificuldades coisas simples.. Gênio da raça transforma Pitt Bull em Poodle, simples assim, como pão na chapa.

Dos nossos gênios, bons no que fazem, porque fazem bem e com amor e uma devoção quase palpável, nos sobra o legado. Gênios do bem e gênios do mal têm coisas em comum. 
A genialidade e a necessidade de fazer história. A escolha do caminho que percorrem é onde se diferencia mocinhos dos malvados. Também quando era criança, pintavam o Hitler como um demônio, o Senna como um herói e os nerds como o futuro do planeta. Nisto tudo, não erraram em nada.
Genial é verbo que só gênio conjuga. Da mesma forma que amar é verbo que só os românticos incuráveis podem praticar.
Gênios, gênios, fico com os do bem. É mais a minha cara. Faz bem à alma e servem de inspiração, para nós, que nem cadarço de tênis às vezes, conseguimos amarrar.

domingo, 2 de outubro de 2011

Crônicas Imperfeitas - Os politicamente corretos

Há um certo tempo, venho pensando em escrever de forma mais descontraída, sem apelos jornalísticos, sem falar da bandidagem que se apossou de Brasília, ou falar das tragédias econômicas destes doutores que mau sabem somar dois com dois e levam o país para o caos anunciado da inflação, enfim. Vou dar a este espaço uma série de textos chamados de "Crônicas Imperfeitas"  

Já reparou como o mundo anda chato? Acho que o maior símbolo da chatice atual é a pizza de tomate seco com agrião. Quem em sã consciência pede pizza disto? Pior ainda, quem foi o pizzaiolo light que criou este sabor? Com certeza é alguém casado com uma anoréxica mental que vive de regime. Cansado da patroa reclamar das gorduras que só ela vê criou o raio da pizza de tomate seco com agrião. Pizza, que é pizza tem que ter queijo, catupiri, orégano, presunto e claro molho de tomate.

E olha que ser chato dá um trabalho. O mundo anda tão chato que até nome bonitinho hoje dão para os chatos - são os chamados politicamente corretos. Ahh Faça-me o favor. Politicamente corretos devem ser os que fazem uso disto como profissão, ou seja, os políticos. 

Bons tempos em que podíamos ser normais e não sermos encarados como pessoas desviadas dos bons costumes politicamente corretos. Tomar cerveja até onde se sabe não é crime, mas tomar uns chopps acompanhado de torresmo ou parmesão empanado, para os doutores do politicamente correto é praticamente um duplo homicídio triplamente qualificado. Triplamente porque juntamente com o chopp e o torresmo sempre tem uma cachacinha pra encerrar a fatura.

Antigamente, corinthiano ia ao estádio junto com o primo palmeirense. Isso lá nos idos de 1900 e todos, hoje não se pode nem vestir a camisa do clube do coração dependendo para onde se vai. Aliás, hoje em dia usa-se mais camisas de times europeus do que brasucas. Nosso craques, em sua maioria jogam por lá. Futebol, neste mundo chato, é mais negócio do que esporte e não dá pra competir com salário em Euro. Estão errados?? Não. Nós é que ficamos pra trás nesta corrida. Chatos que somos, não percebemos que o eterno celeiro de craques mudou para polo exportador. Aí chato é ver os joguinhos do brasileiro todos nivelados por baixo. 

Nestas idas e vindas dos chatos, podemos usar como termômetro os relacionamentos. Hoje em dia estão dando peso para quem fica. Façam-me outro favor. Ficar é só ficar. Tem gente que fica, termina e dá peso a isto como se tivesse vivido um relacionamento de quinze anos e dois filhos. Chatos, chatos. Ser adepto do beijar por beijar é uma opinião que cada um carrega. Particularmente não sou a favor (olha eu sendo chato), mas não se pode hoje dar peso de bicicleta para um ônibus.
Um outro ponto importante neste mundo particularmente chato e politicamente mané é a opinião alheia. Vivemos num mundo onde opinião virou ofensa, não se pode falar mais nada sobre nada, tudo o que se fala e é contrário as convenções sociais dos bons modos é tido como crime.
Um grande exemplo disto, embora um exemplo até um pouco antigo é uns dos últimos livros escritos pelo mestre Wood Allen. O título original é "Mera Anarquia", no Brasil ele foi lançado como "Fora de Órbita" que é o título de uma das crônicas. Qual o medo de uma simples anarquia? De um simples livro?


Quando eu era criança e isto não tem muito tempo, lembro-me que o mundo era menos "burrocrático". Não por ser criança, mas por que os adultos também eram mais simples. Era sim, sim, não, não, pão, pão, queijo, queijo. Hoje em dia, pão com queijo? Só se for pão integral com queijo light - pacas pacas... Até queijo light inventaram. Alguém já comeu aquilo? Tem gosto de isopor com ajinomoto. Hoje os adultos, adeptos desta cultura do não coma nada porque tudo faz mal, não sabem decidir se usam camiseta ou camisa polo listrada para simplesmente dar uma saída. Chatos que são, não podem nunca estar fora da moda. Só que de moda mesmo, eles entendem é nada. 
Aliás, quando criança podia brincar na rua, na terra. Hoje em dia praticamente as crianças, todas elas quase, são mini-adultos. Aula de inglês, francês, piano, karatê, judô, yoga... Parem tudo.. Parem tudo.... São apenas crianças... nada além disto, nada mais do que isto.. nada do que nós já não fomos...  Sabe o que estas crianças ganharão quando chegarem à vida adulta? Diplomas de chatos.


A impressão que se dá é que estes senhores, donos da razão do politicamente correto, criaram uma bolha fascista e ditatorial - não são os nerds que dominaram o mundo, foram os babacas mesmo.
Acho que depois disso tudo, me resta pedir uma pizza quatro queijos, de sobremesa uma bomba de chocolate e para abrir o apetite uma boa dose de Red Label (três dedos e duas pedras de gelo).